Publicações distorcidas nas redes sociais, trechos de falas de candidatos retirados de contexto e links compartilhados em massa por aplicativos de mensagens estão entre as estratégias utilizadas para espalhar desinformação durante o período eleitoral. Com o avanço da inteligência artificial (IA), identificar conteúdos falsos ou manipulados se tornou um desafio ainda maior para os eleitores.
O uso dessas ferramentas pode criar situações que nunca aconteceram, atribuir declarações falsas aos candidatos e influenciar a percepção dos eleitores sobre a disputa.
O advogado João Gustavo Bersch, integrante da Comissão Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), alerta que a produção de conteúdos falsos busca confundir a população na hora de escolher seus representantes.
"As fake news, elas trazem uma informação que não é a realidade, muitas vezes produzidas por inteligência artificial, que visam única e exclusivamente confundir o eleitor, levar o eleitor ao erro pra justamente criar um fato irreal", explica.
Nem toda desinformação envolve a criação de imagens ou vídeos falsos. A divulgação de declarações verdadeiras, mas retiradas do contexto original, também pode distorcer o significado de uma fala.
Um trecho isolado de uma entrevista ou discurso, por exemplo, pode transmitir uma mensagem diferente daquela apresentada pelo candidato.
Segundo Bersch, esse tipo de manipulação também pode prejudicar o processo de escolha dos eleitores.
"Agora, a desinformação, quando ela é propagada fora de um contexto, ou seja, descontextualizada, aí ela pode estar adentrando ao campo da notícia falsa, da fake news, prejudicando o eleitor no momento da escolha dele, na interpretação dele e que candidato escolher."
A principal orientação é desconfiar de conteúdos compartilhados sem identificação da fonte, principalmente aqueles disparados repetidamente em grupos de mensagens.
Antes de compartilhar uma publicação, o eleitor deve verificar quem produziu a informação, conferir a data, buscar o conteúdo original e consultar veículos jornalísticos ou agências de checagem.
Também é importante ter cuidado com vídeos e áudios atribuídos a candidatos, já que ferramentas de inteligência artificial permitem criar conteúdos manipulados que podem parecer reais.
O representante da OAB-PR recomenda buscar informações em fontes jornalísticas confiáveis.
"A orientação que deve ser absorvida pelo eleitor é de confiar nos órgãos de imprensa tradicionais, fazer essa checagem. É óbvio que um veículo de imprensa tradicional, de confiança, ele já faz todas as suas checagens antes de tornar pública tal informação", afirma Bersch.
A divulgação de informações sabidamente falsas para influenciar o processo eleitoral pode configurar crime, dependendo das circunstâncias.
A legislação eleitoral prevê punições para a divulgação de fatos sabidamente inverídicos sobre partidos ou candidatos quando capazes de influenciar o eleitorado. As penalidades podem incluir multa e detenção, conforme o enquadramento legal.
Por isso, a recomendação é simples: na dúvida sobre a veracidade de uma informação, não compartilhe antes de conferir.
A atitude ajuda a impedir que conteúdos falsos alcancem mais pessoas e interfiram na escolha dos eleitores.